Lava Jato em SC

Segundo delação de diretor da JBS, Raimundo Colombo recebeu R$ 10 milhões em propina

19 Maio 2017 12:41:00

Dinheiro teria sido usado na campanha de 2014. Em nota, governador contesta declarações e diz que doações foram legais

O diretor da JBS Ricardo Saud disse a investigadores da Operação Lava Jato que Raimundo Colombo recebeu R$ 10 milhões em propina para a campanha ao governo de 2014. Na delação, Saud relata encontros entre Joesley Batista (dono da empresa), Colombo e o secretário de Estado da Fazenda, Antonio Gavazzoni, em 2013 durante um jantar na casa de Joesley. O objetivo da JBS era de adquirir a Casan, com futuras facilidades em licitação.

Após a divulgação da delação de Saud, o governo emitiu nota na tarde desta sexta-feira (19) constando a versão apresentada pelo depoente. Segundo Colombo, as doações foram legais e aprovadas pelo Tribunal Regional Eleitoral. Esta é a segunda vez que Colombo é citado na operação Lava Jato pelo recebimento de dinheiro de propina. Na duas vezes a propina teria como objetivo a privatização da Casan.

Na delação, Saud disse que "criou-se uma intimidade com o secretário Gavazzoni nessa época [2013, ano de venda da Seara para a JBS]. Ele disse que eles iam disputar uma eleição com Dario Berger e Paulo Bauer e que estavam precisando de recurso. Eu disse: 'vocês estão no poder, com a máquina na mão e ainda querem recurso?' Mas ainda assim convidamos eles para um jantar na casa do Joesley, em São Paulo, mais ou menos em junho ou julho daquele ano. Foram Raimundo Colombo, alguns assessores que não lembro o nome e o secretário Gavazzoni".

Gavazzoni não nega a existência do encontro, e diz que, no jantar, a empresa apenas ofereceu ajuda de campanha. 

Aos investigadores, Saud complementa: "Olhei pro Joesley, olhei pro governador, os dois balançaram a cabeça, assentindo. Chegamos a um número de R$ 10 milhões. Nós pagamos R$ 8 milhões dessa propina dissimulada em forma de pagamento no PSD nacional carimbado pra candidatura do Raimundo Colombo e R$ 2 milhões foi pago em dinheiro vivo lá em Florianópolis mesmo. Eu não posso afirmar se foi o Gavazzoni quem buscou o dinheiro ou se foi um mensageiro dele, mas o dinheiro foi entregue num supermercado que nos ajudou sem saber de nada, pagando em espécie como se fosse uma nota fiscal nossa de R$ 2 milhões".

Leia a nota de Colombo na íntegra:

O governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo, contesta com veemência as declarações feitas pelo delator da JBS sobre doações relativas à campanha eleitoral de 2014. Ressalta que a empresa, conforme a legislação eleitoral vigente, fez doações ao diretório nacional do PSD, que repassou para a campanha do partido em Santa Catarina. A doação feita pela JBS foi dentro da legislação eleitoral de forma oficial na conta bancária do partido e está registrada na prestação de contas apresentada e aprovada pelo Tribunal Regional Eleitoral.



Secretário da Fazenda Antonio Gavazzoni também emitiu nota:

Com relação à delação do executivo Ricardo Saud da JBS, o secretário de Estado da Fazenda, Antonio Gavazzoni, declara com absoluta certeza e convicção nunca ter tratado de assuntos da Casan com o referido delator ou qualquer outro executivo da JBS. Para Gavazzoni, essa narrativa é absolutamente falsa e surpreendente. O secretário esclarece que foram efetivamente convidados para o jantar na residência do dono da JBS, em São Paulo, a que o delator se refere e que, neste jantar, a empresa ofereceu ajuda de campanha oficial, como consta das declarações eleitorais, mas não houve nenhuma conversa sobre Casan:

- Eles estão mentindo e por isso nunca terão como provar. Se a companhia detinha alguma expectativa sobre esse tema, os fatos falam por si: não houve edital nem venda de nenhuma ação da Casan. Vamos nos inteirar melhor dos detalhes e em seguida tomar os procedimentos cabíveis. A verdade prevalecerá - declarou o secretário.






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