Quadro se agrava na região

Chuvas abaixo da média comprometem atividades no campo e o abastecimento na cidade

Caminhões-tanque estão transportando água até a lagoa de captação da Casan para garantir abastecimento do município

A região Oeste de Santa Catarina vem sofrendo com a falta de chuva significativa e de forma regular há um bom tempo. Em alguns municípios, a situação da estiagem está se agravando.
Em Seara, conforme dados da estação agrometeorológica da Epagri, a precipitação nos últimos dois meses não é nem de longe o normal para o período, que seria mais de 100 milímetros por mês. Foram pouco mais de 30 milímetros em fevereiro e cerca de 50 milímetros em março. Já o mês de abril registrou apenas um dia com chuva até agora, que foi na última segunda-feira, com menos de cinco milímetros.
Os baixos volumes de chuva têm como complicador os dias quentes. Os prejuízos já contabilizados são altos e as perdas estão sendo ampliadas. Em função disso, o município está prorrogando o decreto de situação de emergência. Conforme o coordenador municipal da Defesa Civil, Carlos Paludo, "estaremos nos reunindo nos próximos dias. A intenção é prorrogar o decreto de situação de emergência que vence no dia 21 de abril. Queremos estender por mais 120 dias".
Paludo destaca que a previsão da Defesa Civil, em conjunto com a Epagri, é de pouca chuva durante o Outono. No momento a prioridade é atender a todos que necessitarem de água, seja para consumo humano ou animal. "Tudo fica mais fácil com o decreto, pois legalmente estamos mais assegurados para realizar as ações".
O secretário municipal da Agricultura, Renato Tumelero lembra que as cifras referentes aos prejuízos em decorrência da estiagem são elevadas e ainda não foram totalmente contabilizadas. "Estimamos que entre estiagem e o ataque de cigarrinhas as perdas são de 80% na produção de grãos, ou seja, uma redução de quase 600 mil sacas. Com relação ao leite a produção diminuiu em torno de 20% a 25%, o que totaliza cerca de 14 milhões de litros a menos por ano".     
A Secretaria está auxiliando no transporte de água às propriedades e também com apoio na construção de cisternas, respeitando a legislação. Conforme o secretário, o município também está incluído no consórcio Cidema para abertura de poços artesianos e outras ações para minimizar os impactos da estiagem.
Na cidade, a Casan vem fazendo o possível para manter o fornecimento de água de forma normal, mas a situação é considerada crítica. Na semana passada iniciou a operação emergencial de transporte de água bruta do rio Engano para a barragem de captação. Diariamente são três carretas transportando cerca de 40 mil litros cada, por carga, para amenizar o baixo volume do rio Caçador.
A Casan também reforça a necessidade de economia da água tratada para que sejam evitadas ações de racionamento e rodízios. Conforme dados da agência local, por dia são consumidos em Seara cerca de 3,5 milhões de litros de água tratada.
A orientação é para que sejam evitadas principalmente atividades como a lavação de carros, ruas, pátios e calçadas.

Empresa

A principal empresa do município, a JBS/Seara Alimentos, também iniciou nos últimos dias o transporte de água do rio Engano para as lagoas de captação. São cerca de dez carretas fazendo o transporte que, segundo a empresa, visa manter o nível da lagoa para atender a necessidade de volume para produção.



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