Churrasco e bife fazem inflação dobrar em agosto

Carnes foram as que mais pesaram no IPCA. Preço do tomate subiu 50% em 12 meses

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As carnes foram as grandes vilãs da inflação em agosto. O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) mais que dobrou entre julho e agosto: passou de 0,16% para 0,37% no período. Desse total, o bife, o filé, a picanha e outras ficaram com 0,04 ponto percentual, ou 10% do aumento de preços no mês, como mostra a pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).Em uma conta simples, dá para dizer o seguinte: se a inflação do mês tivesse representado um gasto extra de R$ 10 no bolso do consumidor, R$ 1 seria culpa só das carnes. Os outros R$ 9 seriam resultados dos aumentos de todos os demais alimentos e gastos de uma família – do aluguel até o etanol do carro, do eletrodoméstico novo até a conta de água.Isso acontece porque as carnes têm bastante peso na mesa do brasileiro. Assim, qualquer aumento do preço desses produtos impacta diretamente no bolso, como explica Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de Índices de Preços do IBGE, diz que os alimentos foram responsáveis praticamente pela metade da taxa do IPCA no mês.Segundo o IBGE, só as carnes acumulam, nos últimos 12 meses, alta de 17,1%. Ela diz que é normal ocorrerem aumentos dos produtos pecuários no segundo semestre, por causa da entressafra, mas o custo para alimentar o gado também pesou mais para os fabricantes.- As carnes, que têm peso muito forte, estão em período de entressafra. Em geral, elas aumentam no segundo semestre do ano. Mas os produtores também estão vinculando o preço mais alto aos aumentos dos custos de produção, por causa dos preços do milho e da soja. Os gastos estão mais altos com ração.Mas elas não foram as únicas responsáveis por deixar a inflação maior. O custo das hortaliças e verduras mais consumidas aumentou 17,8%. O dos pescados, 12,7%. O das carnes industrializadas, 11,5%. O das aves e ovos, 12,3%. O dos leites e derivados, 9,9%. O dos panificados, 8,24%. O das bebidas, 10,3%.De um ano para cá, somente os cereais (incluindo o arroz e o feijão) acumulam queda de preço. De resto, todos os alimentos tiveram aumentos fortes, inclusive a alimentação fora de casa – que subiu 11,5% graças ao encarecimento dos serviços, que contam os salários dos garçons, dos cozinheiros, dos baristas, dos chefes de cozinha e outros.- Houve alta no arroz, no feijão, na carne, no pescado. A típica refeição do brasileiro. São produtos importantes que aumentaram em agosto. O açúcar cristal e o refinado sofrem influência da cana-de-açúcar. A safra vai ser menor do que a do ano anterior, e os problemas climáticos têm afetado a qualidade da cana. Então, o açúcar vem pressionando a taxa.Em percentuais, a medalha de ouro não ficou nem com o bife, nem com o peixe, mas com o tomate. De setembro de 2010 até agosto, o fruto encareceu 50,4%. Em outras palavras, quem pagava R$ 2 no quilo do tomate um ano atrás, teria visto o preço passar para R$ 3.Segundo o IBGE, os alimentos haviam ficado 0,34% mais baratos em julho e, agora, os preços aumentaram 0,72%. A comida representou quase metade de todo o aumento do índice do mês – 0,17 ponto percentual dos 0,37%, ou 45% do total.

Inflação recorde

A inflação voltou a subir em agosto e atingiu o maior nível em seis anos, mostrando que o consumo continua alto no país, apesar das medidas do governo para esfriá-lo. Os preços medidos pelo IPCA subiram 7,23% nos 12 meses encerrados em agosto. Esse número é o mais alto desde junho de 2005 (quando os preços aumentaram 7,27%).Os novos números mostram que a inflação se distanciou ainda mais da margem de segurança. O governo trabalha com um regime de metas, que visa a deixar o aumento de preços em um nível aceitável, sem afetar o bolso do brasileiro ou corroer a renda do trabalhador.

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