Gilberto Manzoni é eleito o presidente do Conselho Municipal de Meio Ambiente de Penha

“Eu acho que era um dever meu, uma obrigação minha já que eu trabalho nessa área, tenho uma formação, tenho embasamento ambiental - sou oceanógrafo, com mestrado e doutorado na área de aquicultura”

FELIPE FRANCO, JORNALISTA
Gilberto Manzoni - Victor Miranda, CVP.jpg
Foto: Victor Miranda
"Volto a falar: o crescimento é possível"

O oceanógrafo com mestrado e doutorado em aquicultura, professor Gilberto Manzoni, foi eleito o presidente do Conselho Municipal de Meio Ambiente de Penha (Condema) – um dos mais importantes e atuantes no município. O colegiado se reuniu virtualmente, no último dia 6, quando foram definidos os nomes dos conselheiros responsáveis por analisar projetos que impactam diretamente no crescimento sustentável da cidade. Ele defende o crescimento vocacionado, a ampla participar popular e quer elevar a transparência do Conselho.

Manzoni, que integra o colegiado como representante da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), onde é professor, disputou a eleição contra Romário Bittencourt, do Grupo de Resgate e Ação Salvamento Coordenado (GRASC) – vencendo a disputa por 7 a 4. Eduardo João de Souza se candidatou a vice-presidente, como representante do Poder Público, e teve o apoio de todos os membros também oficializados durante Assembleia, que formam o Condema para o biênio 2021/2023.

Cidadão bastante atuante nas questões que envolvem o desenvolvimento sustentável da cidade, Manzoni assume a presidente do Condema pela primeira vez – apesar de já ter sido conselheiro em outras ocasiões. Ele defende que esse modelo é possível. “É só a gente observar o macrozoneamento que tem no município e dentro desse macrozoneamento fazer essas relações que proporcionem o crescimento”, disse.

Além da Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI), a Associação dos Moradores e Amigos da Praia Grande (AMAPG), Associação dos Moradores e Amigos do Quilombo (AMAQ), Associação Comercial e Industrial de Penha (ACIPEN), Associação de Resgate e Ação de Salvamento Coordenado (GRASC), Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e a Academia de Letras do Brasil de Santa Catarina integram o Condema, por parte da sociedade civil.  Os representantes do Poder Público foram definidos em 11 de março, pelo Decreto Municipal 3.662/2021.

O vice-presidente do Condema, Eduardo João de Souza, reforçou o trabalho de parceira entre os órgãos. “É uma alegria participar pela primeira vez deste Conselho que é muito importante para o município, principalmente por termos agora o Instituo de Meio Ambiente criado. O primeiro alinhamento, feito com o presidente do Condema, será uma leitura e revisão do regimento interno para que possamos ajustar ou sugerir alguma mudança para que melhore o trabalho em parceria com o órgão do município e dentro das Leis ambientais”, disse, em nota oficial.

O Condema é formado por 12 membros, sendo 6 da sociedade civil organizada e 6 do Poder Público, indicados pelo prefeito municipal. Com poderio de voto, eles se reuniram, quando convocados, para deliberar sobre solicitações que impactem diretamente na vida da sociedade, como grandes obras da construção civil, por exemplo. Contudo, suas atribuições são abrangentes para e direcionadas à conservação e à preservação ambiental.

[ABRE ASPAS] Gilberto Manzoni

JC - O senhor é um dos membros mais atuantes do Condema e também ligado diretamente às questões que envolvem o meio ambiente, em Penha. Por que resolveu se candidatar a presidente do Conselho?

Gilberto: Eu vou ser bem sincero. Eu acho que era um dever meu, uma obrigação minha já que eu trabalho nessa área, tenho uma formação, tenho embasamento ambiental - sou oceanógrafo, com mestrado e doutorado na área de aquicultura. O cultivo só vai para frente se as questões ambientais onde é feito o cultivo permitirem o seu desenvolvimento. Nesse sentido, eu me senti na obrigação moral de presidir o Condema. O que me levou a isso também, foi que no ano passado eu senti que o grupo estava bastante desmotivado – a sociedade civil estava atuante, como sempre – mas o poder público não conseguia se motivar e dos nomes que tinham ali, pessoas que eu achava adequadas estavam se afastando do Condema. Então, quando fechou o ano, conversei com a sociedade civil e vi que eu tinha potencial para fazer isso. É um compromisso que eu assumo, mais uma atividade na minha vida, mas eu me senti na obrigação. É claro, que se eu enxergasse que houvesse outros colegas com a mesma disposição, até teria abdicado. Mas, a minha decisão vem do ano passado, quando a gente viu que o Condema não conseguiu evoluir. E, é claro, também acho que é uma bela oportunidade de o Condema interagir junto com o IMAP (Instituto do Meio Ambiente de Penha) e nesse sentido me motivou bastante.

- O Condema tem influência direta dentro da temática que envolve o crescimento e a manutenção ambiental. Qual é a sua visão dentro dessa vertente?

Gilberto: Eu acho que as duas coisas têm que ser conciliadas. Eu enxergo o desenvolvimento do município necessário, acredito no Plano Diretor, acredito no macrozoneamento, acredito na vocação de áreas para expansão urbana (áreas de consolidação) e acredito no potencial das áreas de preservação ambiental – que elas podem trazer muitos benefícios para o município de médio a longo prazo. Então, eu acho que a gente pode conciliar o desenvolvimento do município preservando essas áreas de conservação ambiental, desenvolvendo elas de maneira equilibrada, enfocando principalmente no crescimento delas, associado à valorização ambiental que o município tem, a valorização cultural e o potencial turístico. Cada área tem uma vocação. A gente tem áreas que são para expansão imobiliária (eixo a partir da rua Itajaí) e temos uma área que merece bastante atenção ambiental para o desenvolvimento equilibrado, que é a Armação. Nela, nós temos uma área de ocupação tradicional, a gente tem a nossa primeira Unidade de Conservação que é o Parque Municipal Natural da Ponta da Vigia e a gente tem a Morraria da Praia Vermelha, então, essa região tem que ser um planejamento participativo e integrado. Volto a falar: o crescimento é possível. É só a gente observar o macrozoneamento que tem no município e dentro desse macrozoneamento fazer essas relações que proporcionem o crescimento. As áreas de conservação ambiental são de interesse turístico e que trazem as pessoas para cá – não são os prédios e as edificações que trazem as pessoas, não sou contra os prédios. Chama a atenção esse macrozoneamento na região da Armação, que é o grande potencial turístico que a gente tem, é o nosso grande berço cultural e o nosso grande potencial cultural. Eu acho que a gente tem o potencial de trabalhar nessa região da Armação, principalmente, enfocando esses potenciais naturais. A gente pode transformar esse bairro em hospedagem, alimentação e proporcionar desenvolvimento turístico, econômico, social, ambiental e cultural.

- Como presidente, a mediação é ponto crucial – apesar de suas posições, pensamentos e conhecimentos acadêmicos nortearem uma grande parcela social. Como se vê na condição de presidente e de que forma pretende conduzir o Condema?

Gilberto: Ela tem que ser integrada e participativa. Eu sempre acreditei nos conselhos municipais como mecanismos da sociedade civil poder colaborar com a gestão pública. Então, o direcionamento do trabalho do Condema é nesse sentido. Articulação, articular sempre com os parceiros da sociedade civil e poder público e sempre chegar num consenso, que as pessoas consigam entender o objetivo do Condema, o papel do Condema. Eu acho que essa questão de envolver os conselheiros, de criar comissões de trabalho, de se basear no Plano Diretor, se basear na lei municipal também são pontos fundamentais que a gente tem. A construção de pontes é o caminho para gente caminhar para frente e eu vou evoluir nesse sentido. Precisamos ser transparentes e discutir em cima da legislação, pensando no que a gente pode deixar de legado para o futuro.

- A falta de transparência de reuniões e pautas de discussão do Condema já foram alvo de críticas no passado. Como o senhor pretende trabalhar com essa questão?

Gilberto: Transparência de reuniões e pautas de discussão foram coisas que sempre me preocuparam, não só no Condema, como nos outros conselhos que a cidade tem. Então, como que nós vamos discutir isso? É realmente botar na página da Prefeitura (internet) as nossas pautas, as datas das reuniões, abrir as reuniões para a comunidade – é claro que as votações são para os conselheiros – mas a gente tem que dar publicidade, a gente tem que chamar as pessoas para colaborarem e participarem de maneira proativa. Não podemos usar o Condema para críticas políticas, mas para críticas que venham a agregar, sem foco político, com foco no desenvolvimento. O Condema não tem que ter uma posição partidária, ele tem quer uma posição realmente alicerçada nas questões legais, volto a dizer, no que diz o Plano Diretor, na Lei Orgânica e o que diz o Regimento.

FORMAÇÃO DO CONDEMA

AMAPG

titular, Gabriela Garbinatto Chevarria

suplente, Eric Sanches Simões

AMAQ

titular, Stephany Ribeiro

suplente, Christiane Maria Mees

ACIPEN

titular, Márcio Piccoli Bergamann

suplente Jonni Lucas Janck

UNIVALI

titular, Gilberto Caetano Manzoni

suplente,  Rosimeri Carvalho Marenzi

GRASC

titular, Romário Julio Bittencourt

suplente, Josimar de Moraes Pereira

ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL (OAB) E ACADEMIA DE LETRAS

titular, Rodrigo Duarte Maia

suplente, Luis Gustavo Varela

PODE PÚBLICO

-Titular: Everaldo Lourival Francisco

-Titular: Maurílio Antônio Duarte

-Titular: Grazziele Moratelli Volpi

-Titular: Cleber Neumann

-Titular: Edevilson Nascimento

-Titular: Eduardo João de Souza

 

Imagens







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