Infestação de Aedes aegypti tende a crescer, prevê agente endêmico de Balneário Piçarras

“Neste corredor nosso, de Joinville a Florianópolis, já se fala que nós vamos ter uma epidemia e que nós vamos começar a contar óbitos”

FELIPE FRANCO, JORNALISTA
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“Em reunião, semana passada com o Estado, a preocupação antes era o número de focos e de pessoas doentes no município

O agente endêmico responsável pelo Programa de Combate à Dengue de Balneário Piçarras, André Ladewig, utilizou a tribuna da Câmara de Vereadores para fazer um importante alerta: há risco eminente da elevação da situação de infestação do Aedes aegypti na região. A previsão leva em conta o cenário larvário do mosquito transmissor da Dengue, Chikungunya e o Zika Virus nas cidades que tem o fluxo direto envolvido pela rodovia federal que corta o país.

“Em reunião, semana passada com o Estado, a preocupação antes era o número de focos e de pessoas doentes no município. Neste corredor nosso, de Joinville a Florianópolis, já se fala que nós vamos ter uma epidemia e que nós vamos começar a contar óbitos”, afirmou André. Em Balneário Piçarras, até o momento, 32 pessoas já contraíram a doença (20 no território piçarrense). Todas se recuperaram.

Entre Joinville a Florianópolis, há quinze municípios já considerados infestados pelo mosquito, segundo a Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina (Dive/SC): Tijucas, São José, Porto Belo, Penha, Navegantes, Itapema, Itajaí, Florianópolis, Bombinhas, Balneário Piçarras, Camboriú, Biguaçu, Balneário Barra do Sul, Balneário Camboriú e Araquari. Juntas, essas cidades somam quase 20 mil focos do Aedes.

Em Balneário Piçarras, são 848 focos. Em 2020, ao longo de todo ano, 475 focos foram localizados. A proximidade do verão e o aumento do fluxo de pessoas neste eixo preocupa ainda mais o agente. “Nós já estamos com o mosquito instalado aqui há três anos. Vem uma pessoa doente, de qualquer lugar, esse mosquito vai começar a fazer a transmissão. Foi isso que aconteceu com a gente neste ano. Nós tivemos 32 pessoas doentes até esta semana, no ano passado foram 8”, reforçou.

Outro ponto destacado por André em sua explanação aos vereadores foi o alto número de lixo jogado em terrenos baldios. Somente este ano, 1.500 pneus foram recolhidos. “Está faltando divulgação e a conscientização da população”, lamentou o agente, diante do alto número de denuncias relatando o descarte irregular de objetos em terrenos baldios. A Câmara acaba de aprovar uma lei elevando o valor da multa para lotes baldios em situação de abandono.

Entre os dias 8 a 12, a equipe do programa de Combate à Dengue vai realizar o Levantamento de Índice Rápido para o Aedes aegypti (LIRAa). Ele permite a identificação de áreas com maior proporção/ocorrência de focos, bem como dos criadouros predominantes, indicando o risco de transmissão de dengue, febre de chikungunya e zika vírus. A atividade é realizada por meio da visita a um determinado número de imóveis do município, onde ocorre a coleta de larvas para definir o Índice de Infestação Predial (IIP). “Ele vai dizer a infestação que o município vai ter, se é alta, média... Vai direcionar a gente sobre o que mais está criando problema para a gente no município na questão da dengue”, detalhou André.

Em 12 de dezembro de 2019, Balneário Piçarras foi classificada pela Dive/SC como município infestado pelo mosquito Aedes Aegypti. Essa classificação se deu em virtude de os agentes endêmicos também terem localizado, com frequência, focos do mosquito em residências situadas em um raio de 300 metros de armadilhas com larvas do Aedes. Desde então, Balneário Piçarras não conseguiu mais controlar a situação, mesmo decretando ações de enfrentando e promovendo mutirões de limpeza.








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