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Editorial - Edição 603 - 24/08/17

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Saudades, Jacob

Muito além de unir tinta e tela, o artista captura do mundo idílico as nuances e matizes da imaginação e os traz ao mundo dos tons, das texturas reais. Essa missão não é legada a muitos, porque o mundo parece mesmo olhar atravessado para quem tem um olhar diferenciado. Mas isso nunca assustou nosso saudoso amigo Jacob Silveira. Palhocense nato, daqueles com os pés na lama do mangue, esse artista rompeu barreiras e fronteiras, voou alto e foi longe. Foi visionário não só no mundo das artes. Organizou um festival de rock, o Palhostock, em plena época de regime militar e mãos de ferro.
Agora, em agosto, esse nobre palhocense faria aniversário e se estivesse vivo, certamente nos presentearia com mais algumas de suas telas impactantes... Talvez estivesse expondo em Nova Iorque, onde teve peças exibidas nos anos 1990 e 2000. Talvez criasse o cenário para uma peça de teatro que falaria do Cambirela e da degradação de nossos manguesais...
Falar de Jacob é falar de saudade e também de orgulho, por tê-lo tido como amigo. Em seus últimos anos de vida, trocou o trânsito agitado pela velha bicicleta azul; os sapatos apertados, pela sandália havaiana; e o mundo inteiro, pela Guarda do Embaú. Guarda que ele continua a colorir com uma exposição que começa nesta sexta e vai até domingo. Quem visitar, poderá ver entre seus coloridos, o seu olhar; entre seus traços, sua personalidade; e os mais atentos ouvirão até mesmo sua voz e risada. Nós, entre um suspiro e outro, sussurraremos: “que saudade!”

Imagens




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